Um dia, eu troquei São Paulo por Belém.
Agora, eu conto como é a vista aqui do alto.

 

Belém está vivendo seu manguebeat?

Foto (Divulgação): O músico Felipe Cordeiro, um dos paraenses que começam a despontar nacionalmente com uma mistura de ritmos bem locais

Um momento bom do dia, na minha vida paulistana, era pegar a Folha de S. Paulo, logo depois de acordar, e folhear o jornal durante o café da manhã, bem no estilo pai de família americana dos anos 50. Em Belém, eu já não folheio o jornal, mas acesso o site. E o prazer de ver uma matéria que me agrada, logo de manhã, é o mesmo. Hoje, eu tive um desses momentos, ao ver uma matéria de capa sobre a música de Belém.

Eles citam dois exemplos de músicos paraenses que estão misturando referências bem típicas do Estado, como o carimbó, com os mais variados ritmos. Um desses músicos, o Felipe Cordeiro já está ficando mais conhecido. Teve perfil na Bravo, está sendo repassado no Facebook dos belenenses, já está meio encaminhado.

Os outros músicos, a Gang do Eletro, têm um som bem mais ligado ao tecnobrega, que é o que de fato se escuta hoje na rua em Belém. Mal comparando, parece um pouco o Cansei de Ser Sexy paraense, só que menos indie e mais safado.

Para completar, à noite, meus amigos Leandro, um paraflunense que sempre divide suas descobertas musicais mais bacanas, e Marcelo, superpaulistano, me mandaram o link de uma música muito legal do Saulo Duarte, um cara que eu não conhecia, mas parece ótimo. O cara também é um paraulistano, mas ao contrário. Saiu de Belém para Sampa e usa as palavras -e o som - para descrever as ruas e bairros de lá

Talvez os especialistas em música achem uma bobagem o que eu vou dizer, mas olhando esses exemplos e juntando com alguns outros que eu vi por aqui, no Palafita e no Mormaço, por exemplo, fico lembrando do que se dizia de Recife nos anos 90, quando o Chico Science estava bombando e todo mundo profetizava que a mistura do regional com o global era o futuro.

OK, os contextos são outros, a própria ideia de misturar música típica com eletrônica ou rock ficou batida, mas, mesmo assim, esse ainda parece ser um dos caminhos mais consistentes pra escapar de uma certa pasteurização na música, não parece?  E Belém, nesse sentido, tá bem na fita. Tem pelo menos uma meia dúzia de bandas começando a fazer sucesso por misturar coisas bem regionais com ritmos mais globais, embalados por um visual meio indie, meio local, e uma atitude “me orgulho de ser de onde sou”. 

Ou, viajando mais ainda, cosiderando-se que o tecnobrega já é a mistura do brega regional com a batida tecno global, será que hoje só estamos vendo a radicalização de um “manguebeat belenense” que começou há muito anos e que não virou cool porque Joelma e Gaby Amarantos não parecem jovens antenadas que voltaram agora de uma temporada em Amsterdam?

Eu adoraria ouvir de gente que entende de música se tudo isso é uma grande bobagem, se toda grande cidade tem uma cena assim, ou se realmente Belém está em uma fase especial.

Vou poupar o mundo de análises mais longas sobre isso, já que eu sou fraquinho de conhecimento musical, mas se você não conhece esses caras, vale a pena clicar nos links e ouvir o que eles têm a mostrar. Escute com o coração aberto. Os ouvidos agradecem a novidade.

  1. omodesto said: Amei ler esse post, e ainda tem muita coisa saindo de belém, e uma atenção especial para o produtor, dj paraense JALOO MELO soundcloud.com/jaloo
  2. paraulistano posted this

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